quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Surpresa do dia

A já mencionada Leane, a mesma da frase do dia, estarreceu-me ao revelar que o clássico Perfume de Mulher, com Al Pacino, é na verdade uma regravação de um filme italiano, Profumo di Donna, de 1974! Tudo porque esta cinéfila fora de controle reparou que um dos atores do filme Caos Calmo, Alessandro Gassman, era filho do ator principal de Profumo, Vittorio Gassman. Ah, esses meus amigos me enchem de orgulho!

Confiram:

http://www.imdb.com/title/tt0072037/

Frase do dia

“Eu gosto de filme italiano mas eu quero pipoca!!!”

(da minha querida amiga Leane, revoltada após descobrir que o Reserva Cultural, o cultuadíssimo cinema conceito que escolhemos para ver o filme Caos Calmo, não vendia pipoca)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Mais um filme. Eu não resisto...

Do jeito que vamos parece que eu sou uma deslumbrada que gosta de qualquer coisa que vê, não? Mas o fato é que eu realmente fui agraciada com ótimos filmes ultimamente.

A vida secreta das palavras, este é o filme-assunto de hoje. Outro roteiro impecável, que mostra o que tem que ser mostrado, esconde o que tem que ser escondido e insinua o que tem ser insinuado. Tudo a seu devido tempo, tudo no seu devido ritmo. Parece simples depois de pronto, mas cansei de ver filmes que erraram a mão nesse quesito. E é o tipo de coisa que, quando bem feita, passa despercebida.

O filme aborda de uma maneira inusitada um assunto pra lá de tenebroso. Na verdade seria incorreto afirmar que o filme “é sobre esse assunto”. O filme é algo que eu não sei definir. Uma história de amor? Um drama? Um mistério? Talvez tudo isso. Mas o fato é que “o assunto” me tirou o sono. Lembrei-me de quando eu via filmes de terror quando era criança e, pra conseguir dormir depois, eu ficava repetindo, como um mantra: “não é de verdade, não é de verdade, aquilo não existe”. O problema é que neste caso é tudo verdade, e isso dói na alma.
Em Ensaio Sobre a Cegueira Saramago mostra como a precariedade das condições materiais pode transformar humanos em animais. Este filme me leva a pensar que outras condições levam homens a se tornarem animais. A que profundos infernos um homem tem que descer para cometer as atrocidades de que ouvimos falar todos os dias? Quando o assunto é o holocausto, por exemplo, todo mundo se lembra de Hitler. Incontáveis livros e filmes já contaram sua história, na escola aprendemos tudo sobre ele e sempre que alguém precisa de um exemplo de pessoa má o nome que vem à mente é esse. Hitler virou um símbolo de maldade. Mas o aspecto dessa história que estranhamente eu nunca ouvi falar é: quem foram as pessoas que operacionalizaram o holocausto? O que levou aqueles homens a passarem por cima do mais rudimentar senso de moral e executarem pessoas inocentes? Quando se fala de um assassino em particular, de um torturador, pode-se até achar explicações “plausíveis”, como distúrbios mentais, ambição desmedida ou qualquer coisa assim. Mas quando centenas, por vezes milhares de homens, se juntam para cometer atrocidades, qual é a explicação?

Anyway, esqueçam “o assunto”. O filme é delicado e intenso, para ser experimentado sem pressa. Tenho certeza que um monte de gente dirá que é muito parado, e é mesmo, mas isso faz parte da experiência. Relaxe e assista. Você verá como a história vai se infiltrar nos confins da sua memória e, mesmo muito tempo depois, você se pegará pensando nela, sem perceber.

There are very few things… silence and words.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Brainstorming

Não há mais tempo. E o que você fez? Sentou com as pernas pra cima? Tocou sirene, soltou pum, deu a descarga?
Aprendeu inglês e nunca usou? Leu a tradução e não entendeu? Colocou os óculos e não enxergou? Tentou brigar e deu mau jeito nas costas?
Hoje eu não sei, mas amanhã saberei. Por ora olho a revista e escrevo neste caderno e penso em Machado de Assis. Penso em tudo que não precisava ter feito. Penso que bebi café demais. Que conversei pouco com meus pais. Que a beleza está até na bolsa florida de Parati e nas pessoas extraordinárias que ma venderam. E que valeu a pena ter estado lá e visto essas pessoas que existem de verdade e me fazem acreditar um pouco mais na humanidade.
Um sorriso perfeito é raro. E eu tenho procurado nos lugares errados. Mas aos poucos o campo de sorrisos vai florescer e encher os olhos de deus e até ele vai se surpreender com o que as suas criaturas são capazes de fazer.

("despejado" em algum dia qualquer entre Julho e Agosto de 2008)

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Frases para a posteridade de "Into the Wild"

São frases que eu gostaria de ter escrito? Não sei, acho que é mais do que isso. E acho que não importa. O que vale mesmo é pensar a respeito.

I think careers are a 20th century invention and I don't want one.

…rather than love, than money, than faith, than fame, than fairness... give me truth.
(sobre o que os pais deveriam dar a seus filhos)

And I also know how important it is in life not necessarily to be strong but to feel strong. To measure yourself at least once. To find yourself at least once in the most ancient of human conditions. Facing the blind death stone alone, with nothing to help you but your hands and your own head.

Happiness only real when shared.

Cenas de uma tarde de quinta-feira

12:41. Horário de almoço nas obras da linha amarela do metrô. Sentados ao redor de uma comprida mesa de madeira, rente à rua, os operários avançam sobre suas marmitas. Numa ponta da mesa, os que já acabaram a marmita jogam dominó, muito empolgados. Ainda tem gente que joga dominó, não é incrível? Aquela foi uma das cenas mais bonitas que vi ultimamente. Tive um enorme desejo de ser um deles...

14:50. Perambulando pelas ruas do bairro acabei caindo numa viela mais residencial, tranqüila e pacata, onde alguns estudantes conversavam animadamente sentados na calçada. Passando por eles ouvi um trecho da conversa: “Barro não é cor!!!” Eles estavam jogando stop! Não é incrível? As crianças ainda jogam stop... Mas concordo com o rapaz, barro não é cor, hehehe.

17:01. Subindo a Teodoro Sampaio, distraída, me assusto com um ronco estridente ao meu lado, aquele “vrrrrruuuuuuuummmm” de carro acelerando sem sair do lugar. Olho pro lado e vejo um carro de auto-escola com uma garota apavorada ao volante. Depois de mais alguns “vruuuuns” o carro finalmente andou, meio aos trancos, o corpo dela e do instrutor sendo lançados pra frente a cada impulso. Exatamente como eu fazia quando estava aprendendo a dirigir. As pessoas ainda sofrem pra aprender a usar a embreagem, não é incrível? Não pude conter o riso, não riso de escárnio, mas riso de simpatia. O cara da loja de instrumentos em frente também riu. As pessoas ainda riem, não é incrível?

17:32. Carros de bombeiro e polícia em frente ao meu prédio. Entro normalmente, aparentemente não é nada no meu prédio. Enquanto aguardo o elevador chega uma senhora esbaforida e tagarela, carregando mais sacolas do que conseguia agüentar. Entramos no elevador, ela comenta: “Eu acho que quem tenta se suicidar é muito covarde e muito corajoso” Então era isso... “Alguém se suicidou?”, eu perguntei. “A moça no prédio em frente, está lá, na janela, mas parece que desistiu de se jogar”. As pessoas ainda tentam se matar, não é incrível? E ainda desistem.

Um dia fascinante.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

To Joyce or not to Joyce

James Joyce está aqui na minha frente, acenando e sorrindo pra mim. Ele sabe que eu estou, como o jovem Stephen Dedalus, rente ao coração selvagem da vida. E por isso me chama, docemente. Eu não sei. Mergulhar neste oceano chamado James Joyce pode ser uma escolha sem volta. Talvez eu precise encontrar a minha própria Dublin. Talvez eu a encontre através dele. Talvez seja hoje. Talvez seja amanhã. Não sei e não me preocupo, pois sei que saberei quando for a hora.